Comitê de Política Monetária do BC se reúne na próxima semana e a expectativa do mercado financeiro é do início do processo de corte da taxa básica de juros, atualmente em 13,75% ao ano. A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou nesta terça-feira (25) que há espaço para um corte de 0,5 ponto percentual, de 13,75% para 13,25% ao ano, na taxa básica de juros da economia pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na próxima semana.
“Os juros a 13,75% [ao ano] e [a taxa] real [descontada a inflação para os próximos meses] a 10% [ao ano] é o maior do mundo, há uma coisa muito errada no Brasil (…) Isso inviabiliza o crescimento do Brasil, o Brasil para. A alta taxa de juros está sufocando e pode matar o Brasil por inanição. Diante desse quadro, não consigo ver outra alternativa do Copom do que baixar os juros”, declarou a ministra, em entrevista à rádio CBN.
O Copom do BC se reúne na terça e na quarta-feira da semana que vem, e a expectativa do mercado financeiro é de início do ciclo de corte da taxa básica de juros.
Entretanto, a previsão dos economistas dos bancos, segundo pesquisa conduzida pelo BC com mais de 100 instituições financeiras na semana passada, é de um corte menor, de 0,25 ponto percentual, para 13,50% ao ano.
O BC define a taxa básica de juros com base no sistema de metas de inflação. Se as projeções de inflação dos próximos anos estão acima das metas, costuma subir ou manter a taxa estável (em patamar alto). Se as estimativas estão em linha com as metas, pode baixar a taxa de juros.
Para definir a taxa básica de juros e tentar conter a alta dos preços, o BC já está mirando, neste momento, na meta do ano que vem.
Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.
Na semana passada, o mercado estimou uma inflação de 3,90% para o próximo ano. A meta de inflação do próximo ano é de 3% e será considerada cumprida se oscilar entre 1,5% e 4,5%.
A ministra Simone Tebet disse que, em sua avaliação, o governo vem mostrando responsabilidade com as contas públicas ao propor um “arcabouço fiscal”, ou seja, uma nova regra para as contas públicas, “restritivo”.
Ela lembrou que a meta é zerar o déficit nas contas do governo em 2024 e que, para isso, a equipe econômica ainda depende de medidas para aumentar a arrecadação que serão enviadas ao Legislativo.
“Temos transmitido credibilidade com a política fiscal [das contas públicas], redução das incertezas, estamos estimulando o crescimento econômico com algumas medidas, enquanto a reforma tributária não vem para poder girar a economia e poder reduzir o desemprego. A única coisa congelada é o que está matando o paciente, os brasileiros, o Brasil e as contas públicas, são os juros. Tudo muda menos a taxa de juros, não faz sentido”, declarou Tebet.
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