Petrobras anunciou aumento nos preços da gasolina e do diesel para as distribuidoras, válido a partir desta quarta-feira (16). Litro da gasolina teve alta de R$ 0,41, e do diesel, R$ 0,78. O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta quarta-feira (16) que a decisão da Petrobras de reajustar os combustíveis no país foi “acertada”, apesar de ter um impacto negativo “para a gente”, nesse caso, para a inflação de curto prazo.
“Ontem tivemos o reajuste dos combustíveis que vai ter um impacto no ano de 2023. Confesso que achei acertado, acho que é acertado. Não é bom ter um distanciamento muito grande do preço [em relação ao mercado externo], mesmo tendo um impacto que para gente que é negativo. Para as entidades, foi uma decisão acertada”, declarou ele, durante painel no 35º Congresso Nacional da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).
Nesta terça-feira (15), a Petrobras anunciou um aumento nos preços da gasolina e do diesel para as distribuidoras, válido a partir de hoje. O litro da gasolina terá uma alta de R$ 0,41, chegando a R$ 2,93, e o litro do diesel vai subir R$ 0,78, passando a R$ 3,80.
Também nesta terça, Campos Neto estimou que o reajuste dos combustíveis deverá ter um impacto de 0,40 ponto percentual na inflação oficial entre agosto e setembro desse ano.
Antes do reajuste dos preços dos combustíveis, os analistas do mercado financeiro estimaram, na semana passada, um IPCA de 4,84% para este ano. Em 2023, a meta de inflação será considerada formalmente cumprida se o índice em 12 meses oscilar entre 1,75% e 4,75% neste ano.
Com o aumento de combustíveis, diminuíram muito as chances de a meta de inflação ser atingida neste ano – tarefa que cabe ao Banco Central, por meio da fixação da taxa básica de juros da economia brasileira.
Se confirmado, este será o terceiro ano seguido de estouro da meta de inflação, ou seja, no qual o IPCA fica acima do teto fixado pelo governo. Em 2022, a inflação somou 5,79%.
Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra das pessoas, principalmente das que recebem salários menores. Isso, porque os preços dos produtos aumentam, sem que o salário acompanhe esse crescimento.
Nova política de preços
O reajuste foi anunciado após críticas de agentes privados de que os preços da estatal haviam “descolado”, nos últimos meses, do mercado externo por conta da utilização da nova política de preços adotada de maio em diante.
Analistas apontavam que, como o Brasil ainda não é autossuficiente na produção de combustíveis, tendo de importar parte do que é consumido, o descolamento de preços poderia gerar a falta do produto, gerando problemas de logística e freando a economia.
Pela regra de preços da Petrobras que vigorava antes, desde 2016, o preço desses produtos no mercado interno acompanhava as oscilações internacionais no preço do petróleo e do dólar.
No cálculo anterior, chamado de Preço de Paridade de Importação (PPI), a Petrobras considerava o valor do petróleo no mercado global, o valor do dólar e custos logísticos como o fretamento de navios, as taxas portuárias e o uso dos dutos internos para transporte.
Já na nova política de preços, a estatal passou a considerar o intervalo entre duas referências de mercado:
o maior valor que um comprador pode pagar antes de querer procurar outro fornecedor;
e o menor valor que a Petrobras pode praticar na venda mantendo o lucro.
Definição da taxa de juros
No começo de agosto, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu reduzir a taxa Selic de 13,75% para 13,25% ao ano.
Esse foi o primeiro corte da taxa básica de juros em três anos, que aconteceu após melhora na inflação nos últimos meses e, também, em meio a críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para definir a taxa básica de juros e tentar conter a alta dos preços, o BC já está mirando, neste momento, na meta do ano que vem e no objetivo, em 12 meses, para o início de 2025.
Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.
No comunicado, o Copom disse ainda que, nas próximas reuniões, pode continuar fazendo na Selic “redução da mesma magnitude” desta quarta-feira. Ou seja, cortes de 0,5 ponto percentual.
“Em se confirmando o cenário esperado [de desinflação e ancoragem das expectativas em torno da meta de inflação], os membros do Comitê, unanimemente, anteveem redução de mesma magnitude nas próximas reuniões e avaliam que esse é o ritmo apropriado para manter a política monetária contracionista necessária para o processo desinflacionário”, informou o BC.
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