Perspec Perspec
Ligue

(11) 3857-6459

Ligue
Email

contato@perspec.com.br

Email
  • Simulador de crédito
  • Ficha Proposta
  • Processos
  • A Empresa
  • Contato
Perspec Perspec
  • Simulador de crédito
  • Ficha Proposta
  • Processos
  • A Empresa
  • Contato
ago 17

As ilhas onde se faz um dos melhores chocolates do mundo

  • 17 de agosto de 2023

Há pouco mais de um século, uma minúscula nação composta por duas ilhas era o maior produtor de chocolate do mundo. Agora, diversos produtores locais estão revitalizando o comércio de cacau, utilizando variedades antigas e intocadas, plantações históricas e o clima do país, favorável ao cultivo do cacau, para criar produtos de chocolate orgânico. Foto de cacau
GettyImages
Levei menos de meia hora na fábrica de chocolate de Claudio Corallo na cidade de São Tomé — a escaldante capital de São Tomé e Príncipe — para perceber que tudo o que eu sabia sobre chocolate estava errado.
Corallo é italiano e tem 72 anos. Ele me apresentou diversas de suas criações — pedaços de chocolate delicadamente entalhados sobre uma tábua, esperando para que fossem provados.
Enquanto eu os levava à boca, ele me observava, com a cabeça levemente inclinada e os olhos brilhando através dos óculos, esperando pela reação que ele sabia que viria.
Seu chocolate 100% cacau era forte, mas não amargo. E, quanto mais tempo ele ficava dentro da boca, mais suave se tornava.
“Forte e amargo não são a mesma coisa”, afirma ele. “Nós aprendemos que o bom chocolate é escuro e amargo, mas amargo é errado e escuro é queimado.”
Uma das diversas criações que provei chamava-se Ubric 1, um chocolate 70% cacau com uvas passas destiladas em polpa de cacau, aquela pasta branca do interior da fruta. Corallo descreve o aroma da polpa como “o mais fresco e estimulante” que ele conhece.
Eu nunca havia provado nada como aquilo. Não surpreende que o jornal italiano Corriere della Sera tenha considerado Claudio Corallo “um dos melhores fabricantes de chocolate do mundo”.
São Tomé e Príncipe é o segundo menor país da África, atrás apenas das ilhas Seychelles. Mas, pouco mais de 100 anos atrás, esta minúscula nação composta por duas ilhas era o maior produtor de chocolate do mundo.
Agora, diversos produtores como Corallo estão revitalizando o comércio de cacau, utilizando variedades antigas e intocadas, plantações históricas e o clima do país, favorável ao cultivo do cacau, para criar produtos de chocolate orgânico.
Corallo estudou agronomia tropical em Florença, sua cidade-natal na Itália. “Eu sonhava com florestas tropicais quando era criança”, diz.
Por mais de 30 anos, ele cultivou café no Zaire (hoje, República Democrática do Congo), até se mudar para São Tomé e Príncipe quando a situação política no antigo país se deteriorou, nos anos 1990. Corallo queria usar seus conhecimentos sobre café para criar um chocolate com alto teor de cacau que não fosse amargo.
Ele encontrou os cacaueiros que procurava na fazenda Terreiro Velho na ilha do Príncipe, a menor e mais preservada do país. Foi ali, a cerca de 130 km a nordeste de São Tomé, que ele se estabeleceu para aperfeiçoar o processo.
Os fabricantes de chocolate artesanal usam técnicas diferentes durante os principais estágios — colheita, fermentação, secagem e torrefação — para criar sutis diferenças de sabor. A técnica de Corallo combina o demorado trabalho e seu próprio instinto.
Ele retira manualmente o tegumento (a casca amadeirada que cobre cada amêndoa de cacau) e sua raiz dura e amarga. Muito poucos fabricantes de chocolate se dão ao trabalho de remover a raiz.
Em seguida, ele fermenta o cacau por duas ou três vezes mais tempo do que o padrão. Já a torrefação é feita pela sua intuição, adquirida ao longo do tempo.
“O cacau é um produto vivo, ele quer ser conhecido, [ser] tratado corretamente”, explica Corallo.
“Para fabricar chocolate de alta qualidade, você precisa viver a sensação. Se a temperatura estiver baixa demais e o tempo de torra for muito longo, o cacau perde a alegria. Se as temperaturas forem apenas um pouco mais altas ou o tempo apenas um momento mais curto, ele fica amargo e pungente.”
São Tomé e Príncipe era o maior produtor de chocolate do mundo no início do século 20
GETTY IMAGES
Origens no Brasil colônia
As árvores que crescem na plantação de Corallo são descendentes dos primeiros cacaueiros de São Tomé e Príncipe.
Até o início dos anos 1800, só havia cacau na América Latina. Foi quando o rei de Portugal, Dom João 6º (1767-1826), percebeu que estava a ponto de perder o Brasil como colônia portuguesa.
Antevendo a perda da receita oriunda da indústria brasileira de cacau, ele ordenou que fossem embarcados cacaueiros para a colônia portuguesa mais segura de São Tomé e Príncipe.
As árvores chegaram à ilha do Príncipe em 1819. Rapidamente, vieram pessoas escravizadas do oeste africano e trabalhadores contratados de outras colônias portuguesas, particularmente Cabo Verde, Angola e Moçambique, para trabalhar nas plantações que surgiriam em seguida.
Os cacaueiros se desenvolveram no rico solo vulcânico. No início dos anos 1900, São Tomé e Príncipe era o maior exportador de cacau do mundo, o que lhe valeu o apelido de “Ilhas do Chocolate”.
As roças de cacau eram como cidades autossuficientes. Havia um bairro de acomodações para os trabalhadores, com sua própria igreja, hospital e escolas.
Mas as condições de vida desses trabalhadores contratados eram tão ruins e seu tratamento pelos senhores da terra era tão brutal que, em 1910, fabricantes de chocolate britânicos e alemães boicotaram o “cacau português”, o que levou ao declínio das plantações locais.
As roças foram completamente abandonadas depois que São Tomé e Príncipe conquistou sua independência de Portugal, em 1975. Agora, elas estão em variáveis estados de decadência, com seus esqueletos de concreto sendo lentamente consumidos pela floresta.
‘O cacau é como o vinho’
A Roça Sundy já foi a segunda maior fazenda da ilha do Príncipe. Lá, as raízes das paineiras escalam as paredes dos armazéns destelhados.
Em um antigo depósito, encontrei um secador manual danificado, uma relíquia dos dias em que o cacau fermentado era colocado para secar sobre enormes fornalhas à lenha.
Em um lado do jardim central da roça, ficavam os estábulos, protegidos pela torre de uma fachada com aparência medieval. Seu relógio, corroído pelo tempo, parou às sete e meia. Havia também trechos com trilhos semienterrados que cruzavam a roça e os restos abandonados de um hospital.
As construções podem ter visto dias melhores, mas a vida em Sundy continua.
No jardim central, observei galos esqueléticos ciscando na poeira e crianças gargalhando e perseguindo leitões pelos arbustos. Uma senhora varria a varanda de uma igreja que parecia não ver uma missa há séculos.
A roça é o lar de cerca de 300 pessoas, descendentes dos primeiros trabalhadores contratados que trabalharam ali. Todas elas irão se mudar no final do ano para a Terra Prometida — um empreendimento recém-construído, com eletricidade e água corrente. Mas, por enquanto, eles ainda vivem nas senzalas.
Apesar da simplicidade das suas instalações, Sundy é uma comunidade vibrante. Muitos dos homens trabalham na plantação que se estende atrás do jardim, em direção ao mar.
“Com os portugueses, tudo isso eram monoculturas, com setores separados de cacau, coco e café”, afirma Jon McLea, diretor agrícola da empresa de ecoturismo e agroflorestamento HBD Príncipe, que agora é dona da Roça Sundy e transformou a antiga casa grande da fazenda em um hotel.
“Mas a natureza seguiu seu próprio curso nos últimos 50 anos [desde a independência]”, segundo ele. “Ela conseguiu se recuperar. Por isso, agora estamos envolvidos em agroflorestamento dinâmico, cultivando diversas espécies em um equilíbrio entre o cultivo de cacau e a preservação da floresta.”
Atualmente, a floresta montanhosa é coberta por uma diversidade de árvores. Bananeiras fornecem sombra para os cacaueiros jovens, enquanto coqueiros e mulungus servem de andar superior de proteção para os cacaueiros mais velhos, já em produção. E árvores de fruta-pão estão espalhadas entre as demais, com seus frutos caídos agindo de composto para o solo.
As amêndoas de cacau da Roça Sundy costumavam ser vendidas para uma cooperativa em São Tomé, que as exportava para a Europa para processamento. Até que, em 2019, a HBD abriu a Fábrica de Chocolate em uma construção no jardim central da roça. Nela, as mulheres das senzalas selecionam manualmente as amêndoas para fabricar os pequenos lotes de barras de chocolate que serão vendidos nas ilhas.
O chocolate recebe a marca Paciência Organic. Paciência era uma das plantações satélite da Roça Sundy no auge da indústria cacaueira do local. Agora, é uma fazenda orgânica administrada pela HBD. A fazenda e a Fábrica de Chocolate estão abertas para os visitantes.
A gerente da Fábrica de Chocolate, Lina Martins, é minha guia dos produtos, que incluem chocolate 60%, 70% e 80% cacau e sacos amarrados de nibs – pequenos pedaços de amêndoas de cacau torradas.
Apesar do alto percentual, a barra 80% cacau tem delicadas notas florais, enquanto os nibs têm forte sabor terroso e de nozes.
Martins fabrica apenas 150 kg de cada percentual duas vezes por ano e espera até seis meses depois de fermentar as amêndoas para torrá-las.
“O cacau é como vinho”, ela conta. “Se você descansar um pouco entre as etapas, seu sabor é melhor.”
Mas este chocolate é de boa qualidade em diversos aspectos.
“Transformar cacau cultivado na floresta tropical em chocolate e em outros produtos baseados em cacau é uma das iniciativas alinhadas com a nossa visão de desenvolvimento socioeconômico sustentável da ilha do Príncipe”, afirma a diretora de sustentabilidade da HBD, Emma Tuzinkiewicz. “Estamos fornecendo oportunidades de emprego enraizadas na riqueza natural da ilha.”
A HBD emprega mais de 500 pessoas na ilha do Príncipe e construiu as novas casas na Terra Prometida. E, ao cultivar o cacau na floresta tropical, eles também trabalharam muito para manter a maior biodiversidade possível na sua plantação.
“Sabemos que o sabor do nosso chocolate será apenas tão bom quanto a forma em que tratamos a Terra por aqui”, afirma Tuzinkiewicz. “E o seu sabor é muito bom.”

Read More]

g1 > Economia

Comments are closed.

Pesquisar

Dólar
Euro

RSS Fundos de Investimento Imobiário (FII)

  • TRX compra projeto de galpão da Shopee no Paraná por R$135,5 mi 18 de fevereiro de 2026
  • Brasileiro ganha acesso a mais um investimento com retorno dolarizado 12 de fevereiro de 2026
  • FII da Bagmane Prime Office apoiado pela Blackstone registra IPO de US$ 445,6 milhões 30 de dezembro de 2025

RSS Moedas e Câmbio

  • Bank of America prevê entrada de dólares com fluxos de rebalanceamento de fim de mês 26 de fevereiro de 2026
  • Dólar se estabiliza após resultados positivos da Nvidia; negociações nucleares e tarifas em foco 26 de fevereiro de 2026
  • Iuane chinês atinge máxima de 34 meses; iene japonês se recupera com apostas em alta do BOJ 26 de fevereiro de 2026

RSS Indicadores Econômicos

  • Lagarde volta a indicar que finalizará mandato na presidência do BCE 26 de fevereiro de 2026
  • Banco central da Coreia do Sul mantém taxa em 2,50% 26 de fevereiro de 2026
  • Presidente do Fed de Atlanta alerta que disputas políticas ameaçam independência 25 de fevereiro de 2026

RSS Economia

  • UBS eleva previsão de emissão de gilts do Reino Unido com desaceleração do endividamento 26 de fevereiro de 2026
  • FMI pede consolidação fiscal nos EUA para reduzir déficit em conta corrente "grande demais" 26 de fevereiro de 2026
  • Resultados da Nvidia e Salesforce; negociações nucleares EUA-Irã movimentam mercados 26 de fevereiro de 2026

Somos uma empresa especializada em soluções no segmento de crédito imobiliário e crédito com garantia.

Oferecemos um serviço com maior valor agregado, fazemos um estudo de viabilidade de crédito completo.

Navegue

  • Minuto da Economia
  • Simulador de crédito
  • Ficha Proposta
  • Processos
  • A Empresa
  • Contato
  • Política de privacidade

CONTATO

EDIFÍCIO OFFICE TIME
Av. Marquês de São Vicente, 2219
Conj. 1812 – Jardim das Perdizes
São Paulo – SP
Cep: 05.036-040
—
PÁTIO MALZONI
Av. Brigadeiro Faria Lima, 3477
8º andar – Torre A – Itaim Bibi
São Paulo – SP
Cep: 04.538-133
Phone: (11) 3857-6459 E-Mail: contato@perspec.com.br

Busque no Site

© 2019 PERSPEC- Soluções em Crédito Imobiliário e com garantia · Desenvolvido por Tribodev.
CONFIGURAÇÕES DE PRIVACIDADE
Utilizamos cookies no nosso site. Alguns são necessários, enquanto outros nos ajudam a melhorar o site e suas funcionalidades. Você pode aceitá-los ou ajustar suas configurações de cookies. Para mais informações visite a nossa Política de privacidade.
ConfiguraçõesACEITAR COOKIES
Gerenciar consentimento

Visão Geral da Privacidade

Este site usa cookies para melhorar a sua experiência enquanto navega pelo site. Destes, os cookies que são categorizados como necessários são armazenados no seu navegador, pois são essenciais para o funcionamento das funcionalidades básicas do site. Também usamos cookies de terceiros que nos ajudam a analisar e entender como você usa este site. Esses cookies serão armazenados em seu navegador apenas com o seu consentimento. Você também tem a opção de cancelar esses cookies. Porém, a desativação de alguns desses cookies pode afetar sua experiência de navegação.

Necessário
Sempre ativado
Os cookies necessários são absolutamente essenciais para o funcionamento adequado do site. Esses cookies garantem funcionalidades básicas e recursos de segurança do site, de forma anônima.
CookieDuraçãoDescrição
análise da caixa de verificação de informações legais sobre cookies11 mesesEste cookie é definido pelo consentimento do cookie da GDPR. O cookie é utilizado para armazenar o consentimento do utilizador para os cookies na categoria "Analíticos".
caixa de verificação de informações sobre a lei de cookies necessária11 meses

Este cookie é definido pelo consentimento do cookie da GDPR. Os cookies são usados ??para armazenar o consentimento do usuário para os cookies na categoria "Necessário".

caixa de verificação de informações sobre a lei de cookies outros11 mesesEste cookie é definido pelo consentimento do cookie da GDPR. O cookie é utilizado para armazenar o consentimento do utilizador para os cookies na categoria "Outros".
caixa de verificação de informações sobre a lei do cookie desempenho11 mesesEste cookie é definido pelo consentimento do cookie da GDPR. O cookie é utilizado para armazenar o consentimento do utilizador para os cookies na categoria "Performance".
caixa de verificação de informações sobre a lei do cookie funcional11 mesesO cookie é definido pelo consentimento do cookie da GDPR para registar o consentimento do utilizador para os cookies na categoria "Funcional".
política de cookies visualizada11 meses

O cookie é definido pelo consentimento do cookie da GDPR. E é usado para armazenar se o usuário consentiu ou não com o uso de cookies. Ele não armazena nenhum dado pessoal.

 
Funcional
Os cookies funcionais ajudam a executar certas funcionalidades como a partilha do conteúdo do sítio web em plataformas de redes sociais, recolha de feedbacks, e outras características de terceiros.
Desempenho
Os cookies de desempenho são utilizados para compreender e analisar os índices-chave de desempenho do website, o que ajuda a proporcionar uma melhor experiência de utilização aos visitantes.
Analíticos
Os cookies analíticos são utilizados para compreender como os visitantes interagem com o sítio web. Estes cookies ajudam a fornecer informações sobre métricas o número de visitantes, taxa de salto, fonte de tráfego, etc.
Publicidade
Os cookies de publicidade são utilizados para fornecer aos visitantes anúncios e campanhas de marketing relevantes. Estes cookies rastreiam os visitantes através de websites e recolhem informação para fornecer anúncios personalizados.
Outros
Outros biscoitos não classificados são aqueles que estão a ser analisados e que ainda não foram classificados numa categoria.
SALVAR E ACEITAR